O manobrista da academia C4 Gym, Severino José da Silva, de 43 anos, afirmou em depoimento à polícia que seguia ordens diretas de um dos sócios do estabelecimento para realizar a manutenção da piscina onde ocorreu o episódio que resultou na morte de uma aluna e na intoxicação de outras cinco pessoas.
Segundo Severino, as orientações eram enviadas por meio de mensagens no WhatsApp e incluíam quais produtos químicos deveriam ser utilizados e em quais quantidades, mesmo sem que ele tivesse qualquer tipo de formação técnica para a função.
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| Reprodução/foto: G1 |
Falta de treinamento e ausência de equipamentos de proteção
Durante o depoimento, o manobrista relatou que nunca recebeu treinamento adequado nem equipamentos de proteção individual (EPIs) para o manuseio dos produtos químicos utilizados na piscina. Apesar disso, ele afirmou que realizava a manutenção do local há cerca de três anos.
De acordo com seu relato, a rotina consistia em medir os níveis da água da piscina, registrar os resultados por meio de fotos e encaminhá-los a Celso, um dos sócios da academia, que então determinava quais substâncias deveriam ser aplicadas.
Água turva e ordens para aplicação de produtos químicos
Severino afirmou que, na quinta-feira (5), antes do episódio, percebeu que a água da piscina estava turva e comunicou a situação ao proprietário da academia. No dia seguinte, após a última aula de natação, recebeu orientação para aplicar apenas cloro.
No sábado, ao constatar que a água permanecia em condições inadequadas, ele recebeu nova ordem para aplicar o produto HIDROALL Hiperclor 60, sem ter conhecimento prévio dos riscos ou dos possíveis efeitos perigosos da substância.
Sintomas de intoxicação e pânico dentro da academia
O manobrista relatou que preparou a solução de cloro em um balde e o deixou próximo à piscina. Pouco tempo depois, começou a sentir um forte odor de cloro e percebeu uma movimentação atípica dentro da academia.
Segundo ele, uma mulher estava sentada na recepção com dificuldades para respirar, sendo amparada pelo marido. Também havia um pai tentando ajudar o filho adolescente, que apresentava sinais de mal-estar.
O próprio Severino afirmou ter sentido dificuldade respiratória, além de irritação nos olhos e na garganta, sintomas compatíveis com intoxicação por produtos químicos.
